As inquietações da Malhação
Quando eu era adolescente assistia ‘Malhação’ e fui percebendo que os professores da escola (não era + academia) eram uns personagens bem caricatos, sempre fazendo papel de bobos ou chatos e os personagens mais legais e carismáticos eram geralmente aquele bad boy ou os mocinhos descolados que tinham coragem de bater de frente com o professor, muitas vezes o ridicularizando, e todo mundo achava o máximo.
Depois comecei a perceber que aquela tendência de ter professores como " velhos" bobocas e os alunos mais rebeldes como os personagens mais atraentes da trama, estava imitando a vida, ou a vida estava imitando a arte???
Nada mal... se não saísse das telas dos folhetins pra vida real. E aos poucos percebi que a imagem não apenas dos professores, mas também dos pais, dos policiais, de tudo que era figura de autoridade estava sendo levada ao caricato, a imagem estereotipada.
Coincidência ou não, hoje temos percebido que muitos jovens - e até muitos nada jovens- estão confundindo todo exercício legítimo de autoridade com autoritarismo e, já não se pode ter regras, colocar ordens... As vezes tenho a impressão que tudo agora é confundido com "repressão".
Eu sinceramente tenho meus receios.
Não sou contra os Movimentos buscando direitos e justiça. Nem acho que autoridades não errem. Também sei que muitas pessoas que deveriam exercitar a autoridade para o bem de todos, apenas exercem abuso de poder. É bem verdade que muitos se recusam a um espaço de diálogo com os mais jovens, com os que questionam... Mas, por outro lado, percebo que está havendo outros tipos de abusos por aí: talvez o que eu chamaria de "abuso de resistência".
E os pais estão ficando perdidos. Os policiais de mãos atadas. Os professores agredidos. E por aí vai...
| Lutemos para que mais diálógos sejam possíveis |
Questionar não é problema, quando se busca diálogo, direitos, Justiça...Mas tenho a impressão que tem surgido uma galera tipo daquela temporada da Malhação que resiste a tudo,resiste a ordem,resiste a regras,resiste aos Nãos da vida, dos pais, da Justiça.
Resistem por resistir... para ter algo pelo que lutar, mesmo sem entender qual, de fato, é a luta.
Uma galera com muita dificuldade de refletir, de dialogar, de aceitar um Não, de lidar com frustração, de saber o limite entre questionar exercendo seus direitos e sua liberdade de expressão e exercer seu dever de respeito e seu limite com a liberdade alheia.
Uma galera que já não respeita a mais ninguém.
Claro, não generalizo de forma alguma! Tem muitos jovens conscientes de sua luta e que questionam com o objetivo de mudanças e aonde couber o diálogo, vão e buscam respostas, conciliações,quebra de paradigmas incoerentes, oferecendo o respeito que desejam ter, exercendo direitos e deveres, cooperando pro bem comum,
Eu temo mesmo a estes que questionam só por questionar, e ao invés de professarem o que acreditam de verdade, apenas repetem os discursos- e quem sabe? - apenas o "eco" destes discursos. Não sabem nem de onde o discurso saiu.
Até onde vamos ??? Só pra reflexão...
# Das muitas inquietações da Jornada,
Ilana Nascimento Sabino.

Comentários
Postar um comentário
Comentários, sugestões ou críticas...este é o lugar: