As Relíquias do Passado

Hoje foi
um daqueles dias em que me senti muito nostálgica, ou seja, desde cedinho de
manhã a minha Playlist do computador -que ouço enquanto faço as atividades
domésticas pra dar uma motivaçãozinha a mais!- , só deu as canções que marcaram
desde a mais tenra infância até mais ou menos os meus 20 anos.
Eu nasci nos
anos 80, logo, tem muita preciosidade da música evangélica desta época e eu
curto, de vez em quando, voar ao meu tempo de criança, ainda no Rio de Janeiro,
onde mamãe gostava de sintonizar a rádio e eu podia ouvi-la cantando canções
como, por exemplo, as de Shirley Carvalhaes enquanto lavava a louça, fazia o
almoço...
Eu era muito pequena mas me lembro até hoje da letra de Estou Contigo e Árvore
da Cruz.
Os discos de vinil tinham seu lugar na casa e eu me lembro de ter
Luis de Carvalho, Som Maior, Oséias de Paula (e as Cem Ovelhas), e Grupo Logos,
entre outras. Eu tinha os discos da Tia Romilda, com suas canções e
histórias bíblicas que aguçavam minha imaginação e criatividade...era bom
demais!
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| um dos discos da Tia Romilda |
São muitas
recordações. Mas a medida que as canções vão dando lugar a outras na Playlist,
parece que vem com elas uma legenda imaginária me conduzindo para o ano que
era, a fase da vida e a situação em que fui embalada por aquela canção.
Será que só eu tenho essas "louquices"?
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| relíquia da época: as fitas k7 muito usadas pra gravar e ouvir |
E lembrando
dos episódios, épocas e pessoas que passaram por minha vida posso chegar a
seguinte conclusão: Estou ficando velha, rsrs!
E isto
parece ficar mais nítido ainda quando se ouve aquela música que você sempre
gostou, e hoje, tocada em algum Túnel do Tempo por aí, você percebe que ela tem
instrumentais e efeitos que já não existem há mais de décadas...
aí, sim, você sente o peso da idade chegando..ui!
O pensamento me traz a ideia de que aqueles eram tempos bons se
comparados com os tempos atuais.
A impressão que tenho é que todos nós criamos ideias mais
positivas sobre a nossa época de infância que a tornam melhor do que a da
geração seguinte.
Meu pai, por exemplo, sempre deixou-me de olhos arregalados
e com uma imensa vontade de ter nascido em outra época quando ele começava a
falar sobre os anos 60, 70... Adoro ver as fotos de parentes dos anos passados.
Crio na minha mente como deveria ser naquela época: a vida, os namoros,as
amizades, as brincadeiras...tudo deveria ser bem melhor. Bem, eu acho que era
mesmo. Mas não podemos esquecer que desde que o mundo é mundo, pessoas são
pessoas e seres humanos são seres humanos.
Hoje em dia,
a bem da verdade, temos visto e ouvido tantos absurdos referentes aos valores,
as leis, aos comportamentos e alguns modos de pensar, que me pergunto se
em algum outro período da História houve igual...e a tecnologia que tanto
facilita a aproximação entre os seres humanos muitas vezes mostra apenas como
estamos desconectados uns dos outros em comparação ao modo de vida mais simples
e presencial do passado. Talvez esta mesma tecnologia permite termos
conhecimento do que também acontecia antes mas poucos sabiam.
Entretanto,
acredito que quando o sábio rei Salomão escreveu : "Nunca
digas: por que foram os dias passados melhores do que estes? " (Eclesiastes.7.10), ele estava mostrando que viver do
passado não é nada saudável. O saudosismo é a atitude de ficar preso a
algo que foi bom, que foi vivido, mas que não é mais.Se foi.Embora seja
maravilhoso olhar pra o passado e trazer as lembranças na bagagem da
vida, a mais eficiente forma de viver é sair de lá e chegar ao hoje aprendendo
com o ontem e retirando as lições aprendidas pra evitar erros cometidos.
George
Santayana, um filósofo e poeta espanhol já disse que "quem
não recorda do passado está fadado a repeti-lo" e meu esposo Walter Luís gosta
muito de citar esse verso. O passado então, deve ser fonte de aprendizado para
nos conduzirmos por melhores caminhos no presente.
Fora isso,
acredito que a vida diariamente nos convida a viver o presente. Cada amanhecer
parece uma virada de página que nos enche de esperança de fazer algo novo,
mesmo que seja apenas a esperança de um novo fôlego para fazer as mesmas coisas.
Jesus , falando sobre a preocupação demasiada com o amanhã nos
alerta a viver a cada dia o que ele traz. (Mateus 6.34) Nem com os pés fincados
no passado ,o que gera angústias, nem preocupados demais com um futuro
desconhecido, o que gera ansiedade, o desafio é o equilíbrio para viver o
hoje e cada experiência que nos vêm.
Então, é
hora de deixar o passado no passado. Aprender a rir e chorar no momento da canção
mas depois levantar e voltar ao presente, vivendo-o com muita sabedoria,
lembrando que estamos escrevendo no dia de hoje as memórias que vamos
recordar amanhã. Espero lembrar com alegria das escolhas feitas, com serenos
risos dos tropeços, e com a certeza de que vivi a vida com o melhor que
eu poderia fazer.
E a jornada
continua...sigamos em frente!
Até a
próxima,
Ilana Nascimento
Sabino.


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